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X-Acto

Os x e os actos e algumas coisas de cortar os pulsos



Domingo, 12.01.14

Ainda a Golman Sachs. 'Eles' não são todos iguais e 'nós' não somos todos iguais

O livro "Goldman Sachs - O banco que governa o mundo" de Marc Roche explica várias coisas.

As óbvias são aquelas de que nos ocorre falar quando na mesma frase aparece o nome de um político e legislador e da Goldman Sachs.

 

Mas há outras. Como aquelas, também relatadas no livro, que nos falam da responsabilidade de todos nós e da possibilidade que nos assiste de interromper ciclos não-virtuosos.

 

Como aconteceu em Berlim. Passo a citar o livro de Marc Roche: "É necessário evitar a todo o custo fazer negócios com esse tipo de banqueiros, insurge-se assim o ministro berlinense Ulrich Nussbaum depois de má experiência da municipalidade ligada à venda, em 2004, de um parque de apartamentos de renda limitada moderada pelo banco, associado na ocasião a um hedge fund americano. O negócio deu que falar, as condições de protecções dos locatários impostas pelos autarcas desagradavam ao escritório da Goldman em Frankfurt. Uma vez concluído o acordo, a firma pediu a supressão dessas obrigações … senão arrastava Ulrich Nussbaum para os tribunais por corrupção. A tentativa de chantagem da Goldman Sachs não vai longe. Apoiado pelos políticos locais de todas as orientações, Nussbaum quis ir a tribunal acusando, por sua vez, o estabelecimento de tentativa flagrante de extorsão de fundos. Receando um processo mediatizado, o banco recuou, realizando todas as exigências.".

 

Releio esta passagem e lembro-me de um outro texto. Ainda de 2012, o texto de Milas no El Pais, "Um cano de pistola enfiado no cu" (em português aqui.) Releio a última frase deste texto que fala sobre "a cumplicidade dos nossos". Nós somos os nossos. Aqueles que aceitam trabalhar por menos 50 euros que o colega do lado ("são só 50 euros e o dinheiro faz falta"), que aceitam escrever a notícia que o outro rejeitou como propaganda ("só desta vez"), que executam sem pensar porque se pensarem não poderiam executar ("porque o mercado está mau e não podemos ser parvos").

 

'Eles' não são todos iguais e 'nós' não somos todos iguais. Ulrich Nussbaum, que só conheço do livro sobre a Goldman Sachs e de quem não encontro muito mais referências online, não fez igual. Álvaro Santos Pereira não fez igual. Há muito boa gente por aí que não faz igual, é desses que precisamos. Com essas pessoas, connosco a fazer parte das decisões e não a sermos vítimas de decisões, podemos pensar em construir e deixarmos de nos sentir com um cano de pistola enfiado no cu. Já chega.

 

E porque hoje me sinto estranhamente esperançada, deixo-vos com uma frase do José Luís Peixoto de quem tanto gosto:
"O futuro começa todos os dias. O futuro começa hoje e dura o tempo que acreditemos nele".

 

Até breve,

 

 

 

 

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por sparks às 23:03



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