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X-Acto

Os x e os actos e algumas coisas de cortar os pulsos



Segunda-feira, 12.08.13

Uma história exemplar ou porque as más pessoas não são bons clientes

 

 

Não é tudo sacanice e hipocrisia. Aliás, a maioria de nós não vive assim. Imergir num mundo de pessoas que confundem o lugar que ocupam, e o poder que lhes confere, com o que são e o que os outros devem ser em sua reverência é uma terrível infelicidade. Para o próprio e para aqueles que o rodeiam.

Lembro a história de um amigo com uma empresa que começa finalmente a ser bem sucedida ao fim de quase 6 anos de sangue, suor e lágrimas. Após uma reunião numa das nossas grandes empresas, o novo responsável pelo departamento com que trabalha diz-lhe que resolveram internalizar a solução que a empresa desse meu amigo desenvolveu para um problema que a "grande empresa", sua cliente, tinha. O meu amigo acha que não percebeu. "Internalizar como?". A resposta: "tem de explicar às 'minhas pessoas' como vão fazer o que a sua empresa faz". O meu amigo é um tipo bem educado. Não lhe chamou palhaço à frente da equipa toda, não lhe deu um soco e até continuou a conversar com ele. Disse-lhe que depois falariam. Como é óbvio não vai "dar" a solução que ele próprio criou à empresa porque "vão internalizar". Se vão internalizar, pagam a solução. Pagam bem, para deixar de pagar o serviço. Na vida real, esta lógica da batata não é sempre assim. Geralmente não é assim com os mesmos ou os seus delegados. Informa-se o mais pequeno-fraco-indefeso de uma decisão que simplesmente o lixa-expolia-prejudica. No fim de tudo, se alguém levantar alguma questão diz-se "não tem tema".

O meu amigo saiu da reunião a cerrar os dentes. Ou como dizia o Nicolau Santos "a sentir uma raiva a crescer nos dedos". Não vai dar a solução, mas sabe que vai ter de negociar com um tipo sem princípios, sem ética, sem vergonha. Há vários destes. Alguns são premiados, levam palmadas nas costas e são apontados como exemplo pelos respectivos chefes. Chama-se, portuguesmente, chica-espertice (ora aí está, a palavrinha mágica). E o pior é que até as vítimas dos chicos espertos, lhes reconhecem o valor da chica espertice. Se conseguiu lixar o do lado, ganhou. Se ganhou, é melhor que o tipo que se porta bem. E infelizmente habituámo-nos a pensar que este país, este mundo não é para os tipos que se portam bem.

Esta história tem uma moral com a qual me identifico a 300%. Dizia-me o meu amigo em jeito de conclusão: vou ter uma empresa realmente de sucesso quando não precisar de maus clientes, de más pessoas. Quando puder escolher os meus clientes. Acho que não há objectivo mais nobre para quem tem uma empresa do que poder escolher os seus clientes.

Vivas tu, amigo que aqui fica incógnito, e todos os que conseguirem lá chegar.

 

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por sparks às 22:49



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