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X-Acto

Os x e os actos e algumas coisas de cortar os pulsos



Quinta-feira, 17.07.14

Notícia má 1- Publicidade óptima 0

Eu sei que isto é um fait-divers e que, como dizia uma apresentadora da nossa tv, agora não interessa nada. Mas a publicidade do BES anda a fazer-me uma certa impressão. Entro no carro, ligo o rádio e não há dia que não tenha notícias do BES. Não são boas notícias, quanto muito em alguns dias são menos más do que noutros. Mas, no geral, são péssimas. Há buracos, desvios, credores a arder, pessoas que se demitem, pessoas que eram muito amigas de pessoas que se demitem muito chocadas com aquilo que as pessoas que se demitem faziam. E depois de uns quantos minutos disto, entra o jingle da D. Inércia. Às vezes, entra logo a seguir. Vantagem BES, por um lado rende, por outro lado poupa, o BES junta o útil ao rentável, a Rita Blanco no seu melhor registo de porteira à conversa com o Cristiano, tra-la-ri-tra-la-ro, e no mundo lá fora, as acções do banco a caírem, os accionistas a retirarem-se mas a desejarem as maiores felicidades a quem fica, Passos Coelho a dizer que os depositantes não devem ter medo de perder o dinheiro (aka, levantem lá nem que seja só 20 euros que lá tenham depositado). Tem um certo ar de orquestra do Titanic.

Depois leio os jornais e lá estão as notícias outra vez. Páginas e páginas no Expresso a explicar, tim-tim por tim-tim, as dificuldades da família Espírito Santo, as dívidas da Rio Forte, os aborrecimentos de algumas fortunas com os seus investimentos no Banque Privée. E ao lado ...  Uma campanha do BES - Pagamento na Hora. Ou do Espírito Santo Financial Group a anunciar que ganhou o prémio da melhor empresa de gestão de activos. Parece uma brincadeira. 

Não sei o que pensam os especialistas em marketing, mas cada vez que entro nesta montanha russa de notícia má- publicidade óptima, a notícia até me parece menos má porque a publicidade é péssima. A publicidade, feita supostamente para enaltecer qualidades e promover o banco, destrói muito mais do que a notícia. A notícia é a realidade, a publicidade é um mentiroso a mascarar a realidade.

Já ouvi a tese de que é melhor manter a publicidade, porque senão é que as pessoas pensavam que as coisas estavam mesmo mal. Será um argumento de marketing? Acho que não. As coisas estão realmente mal. Por isso, ou não dizem nada ou dizem alguma coisa que as pessoas realmente possam levar a sério. Ocorrem-me umas quantas coisas que, pelo menos a mim, me fariam ter mais simpatia e solidariedade por um banco que tem história, que emprega milhares de pessoas e que certamente tem gente com vontade de fazer good banking.

 

P.S. - No capítulo marketing BES, a suprema ironia é mesmo a campanha Recuperar a Esperança. Uma campanha de essência postiça que a realidade transformou no claim mais adequado aos tempos que o banco vive.

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por sparks às 23:44



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