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X-Acto

Os x e os actos e algumas coisas de cortar os pulsos



Domingo, 23.03.14

Sobre estar parada, pedir ajuda e fazer coisas que não nos apetece

Em jeito de começo de conversa, assumidamente para aqueles com quem me encontro mais regularmente por aqui, depois do post sobre os anos, envelhecer, ageing and so on, mais exactamente dois dias depois, fui brindada com uma tendinite no ombro e braço esquerdo que me permitiu experimentar uma forma de imobilização nunca antes sentida. Não foi bonito. Cheguei mesmo a equacionar mensagens subliminares e outras coisas que tal. Uma semana e alguns dias depois, posso dizer-vos que o estupor da tendinite veio em boa hora.

1) Obrigou-me mesmo a abrandar não apenas com o teclar mas sobretudo com o vício-dependência-obsessão mais idiota dos tempos modernos que é de ler em smartphones, consultar email emails em smartphones, saber o tempo que vai fazer, o restaurante onde podemos ir ou a localização de uma morada que nem precisamos de imediato, tudo no raio do smartphone. Há um postura repetitiva, da qual não nos apercebemos na maior parte dos casos, e que ao fim de um determinado número de usos (como nas máquinas), tende a avariar.

2) Fez-me compreender o quanto precisamos uns dos outros e o quanto nos esquecemos disso nos nossos dias tão atarefados. Pedir alguém que nos ajude a vestir, a colocar refeição no prato, a abrir uma porta transporta-nos para uma realidade bem diferente da nossa habitual, aquela em que nos vemos quase sempre como super-homens e super-mulheres. Custa muito aos primeiros dias, mas depois faz-nos bem, devolve-nos à condição de humanos que sempre é a nossa.

3) Impôs na minha agenda uma prioridade adiada há demasiado tempo. Aquela prioridade de tratar bem de mim, do meu corpo, da minha resistência e competência física. Não, não vão ouvir de mim um elogio épico às maravilhas que a corrida faz por nós, à beleza de sair de uma aula de ginásio a implodir de suor e cansaço, à descoberta de um novo-eu obstinado com a condição física. Nesta semana, a minha amiga Helena postou, em boa hora, um belíssimo cartoon - este que aqui está e que subscrevo. Aquilo que descobri não tem nada a ver com prazer nem com uma espécie de descoberta do 'homem novo' (no feminino, claro). Mas tem tudo a ver com qualidade de vida, presente e futura, com capacidade de fazermos algo em troco de um benefício presente e futuro ou, no limite, em troco de um não-problema futuro. Lavar os dentes não é a mais extraordinárias das actividades diárias, mas também a fazemos, certo? Não contempla suar e tal, mas vamos lá com uma coisa de cada vez para não ficar demasiado complicado.

4) Last, but not the least. Para todos os que precisam usar de forma regular ou pontual peças ortopédicas - seja o meu magnífico imobilizador de ombro, sejam outros, porventura mais restrictivos e até destruidores de auto-estima quando usados em permanência. Há uma urgência em que a ciência, a indústria e a arte olhe para estas aplicações de forma distinta daquela que tem sido seguida até hoje. Coincidência ou não, voltei a cruzar-me nesta mesma semana com a Olga Noronha, artista, cientista, académica, cujo trabalho - as jóias ortopédicas ou jóias prescritas por médicos -  revelámos na primeira temporada do The Next Big Idea. O trabalho da Olga não é só original, inovador, bonito - é uma contribuição para que muitas pessoas possam viver melhor.

 

É isto.

Até breve

 

 

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por sparks às 17:21



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