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X-Acto

Os x e os actos e algumas coisas de cortar os pulsos


Quinta-feira, 24.07.14

A servidão humana

Hoje li isto (há minutos). De um autor que não conheço, o Gonçalo Nuno, via facebook.

 

Uma (des)ilusão chamada empreendedorismo!

Hoje desapaixonei-me, dei mais um trambulhão, poucos dias após ter celebrado um ano que iniciei esta missão. Tenho tido o privilégio de fazer-me acompanhar por gigantes, como o Tiago Rodrigues, Isabel Esteves e Rui Garcia, mas também para eles é claro que todo este ecossistema não passa de uma ilusão. A paixão está cá, a determinação e o talento também, aquilo que falta são líderes com visão.

Nos últimos tempos temos assistido ao crescimento de uma bolha de enorme dimensão. Onde, no seu interior, políticos e homens de negócios ganham mais um ou outro milhão. Vemos ideias de negócio darem vida a empresas após participarem numa competição. Assistimos passivamente aos negócios que são criados em torno dessas empresas, num ambiente de expropriação, e vamos dizendo, que lá se vai mais um milhão.

Estou cansado destes políticos que habitam parques tecnológicos, farto de ser perseguido pelas finanças e segurança social, como se fosse um criminoso, de ter pesadelos com multas devido a algum esquecimento, ou qualquer outro atraso com uma obrigação fiscal.

Fora desta bolha a vida é muito dura. A paixão e o amor à Nação são diariamente colocados à prova. Á minha volta encontro vários empreendedores, que procuro apoiar dando-lhes motivação, partilho os meus contactos e a nossa ambição. No entanto, questino-me o porquê de ter que ficar calado a assistir à emigração de tantos jovens portugueses, que tanta falta fazem ao País, ao mesmo tempo que aqueles que a paixão por ficar falou mais alto, e que tentam empreender e tomar o controlo das suas vidas, sejam vitimas deste meio envolvente prejudicial, e sistema fiscal punitivo e castrador.

Porque a nossa missão é desenvolver um novo ecossistema empreendedor independente em Portugal, vários milhares de empresários e eu, que não têm na sua maioria mais de 20 e poucos anos, estamos a fazer tudo para mudar esta situação

 

 

Há uns meses, tinha lido isto. De um autor que conheço bem, com quem tive oportunidade de falar sobre o tema, o Daniel Deusdado, via Jornal de Notícias.

 

As Finanças / As SS nazis

 

1 A história da falência da Throttleman e Red Oak, duas marcas de vestuário português que fecharam as lojas na semana passada, é o melhor exemplo de como, por debaixo da demagogia sobre o Portugal de sucesso, a vida prossegue, inexorável, a matar a pequena e média economia portuguesa. Esta história é tão irreal (e não é a única) que até dá vontade de fugir do país.

Antes de mais: a Throttleman foi criada em 1991 por três gestores (Pedro Pinheiro, Eduardo Barros e Nuno Gonçalves) acabados de sair da faculdade. O profeta do cavaquismo industrial, Mira Amaral, pedia, e bem, marcas próprias e redes de lojas nacionais, sobretudo em setores como o do vestuário onde vendíamos esmagadoramente para subcontratação. Quem ousasse devia até internacionalizar.

A Throttleman fez isso mesmo: lojas nos shoppings ao lado das grandes Zaras, Benettons ou Lacoste. Vendia camisas portuguesas e outro vestuário a preço médio-alto. Chegou a dar emprego a quase 750 pessoas. E chegou a abrir lojas nos Emirados Árabes Unidos e em Angola - em resumo, fez o que está escrito nos livros de gestão. Só que a derrocada de 15 de setembro de 2008, nos Estados Unidos, provocou o brutal arrefecimento do consumo mas não o da conta mensal de quem tinha investimentos a pagar. Uma média de 12 milhões de vendas anuais revelavam-se insuficientes.

Os 23 milhões de euros de passivo acumulado pela Throttleman e Red Oak levaram então a que, em novembro de 2012, ambas avançassem para o "Processo Especial de Revitalização", um mecanismo criado pelo Estado para ajudar empresas em dificuldades. Viáveis ou não? Os credores decidiriam. E neste caso as coisas correram de forma extraordinária: em apenas 76 dias conseguiu-se um acordo com cerca de 80% de créditos, incluindo a Segurança Social. Quem faltou? Praticamente apenas o Ministério das Finanças, ainda por cima credor privilegiado.

Aceite pelo tribunal o Plano de Recuperação, vida nova? Errado. As Finanças interpõem um recurso judicial que impediu a recuperação de arrancar. Há um ano. Apesar das Finanças e da Segurança Social terem assegurado o ressarcimento de 100% da dívida em 150 prestações, acrescidas de juros a uma média de 6,25%, as Finanças não aceitaram que os juros antigos e as coimas fossem perdoados em 80%. Uma gota no conjunto de todo o processo. (Note-se que, entretanto, as Finanças perdoaram 100% dos juros e 90% das coimas, em dezembro último, a quem pagou impostos em atraso por razões tão absurdas como fugas para off-shores, etc...).

A Throttleman andou 12 meses a lutar com as Finanças em recursos judiciais e depois o processo encalhou no Tribunal Constitucional. Entretanto, a gestão tornou-se impossível. Há dias anunciou o pedido de insolvência. Tinha 200 trabalhadores. As Finanças (e todos os outros) vão agora receber zero ou pouco mais.

2. Quando leio as notícias sobre o aumento da arrecadação fiscal, mês após mês, penso em casos como este e temo o pior. As Finanças estão a usar expedientes claramente selvagens para conseguir tirar o pouco que resta à economia. Penhoram tudo a toda a gente - até por pequenas multas. Sabem que os tribunais não funcionam e são inúteis como recurso dos contribuintes.

Uma empresa que recorra judicialmente contra o Fisco fica registada como incumpridora se não pagar à cabeça e é inibida de direitos básicos (ex: estágios profissionais apoiados). Passa a ter o seu nome publicado na lista "negra" dos devedores. Todos os meios valem. O novo sistema de fornecimento de informação - SAFT - obriga as empresas a porem nas mãos do Estado 100% da sua vida - clientes, preços, prazos, pagamentos.

As Finanças são um Estado prepotente (sem aspas nem metáforas), amoral, dentro de um país que tenta sobreviver à sistemática e brutal cobrança e aumento de impostos. Ainda vamos brevemente descobrir que boa parte do sucesso das exportações inclui também uma coisa óbvia: as mercadorias vão mas o lucro não volta. O Fisco está enganado se pensa que mete os empresários em campos de concentração fiscais (onde estão os trabalhadores por conta de outrem e pensionistas). O inimigo é comum - o Fisco. A ordem é "fugir". O ódio ao Estado é total. Lutar contra a carga fiscal é como militar na Resistência.

 

Hoje, o Ricardo Salgado, o banqueiro, o DDT, o espírito santo, o pai, sogro, tio, padrinho de um país que se lhe vergou durante décadas, foi detido por alegada fraude fiscal e branqueamento de capitais. Pagou três milhões de fiança. Na televisão vejo rostos bem conhecidos que privaram anos a fio com ele e a sua corte, que reverenciaram o 'sôtor', que se babaram por receberem convites assinados pelo próprio, a proclamarem a moral e os bons costumes e a acenarem com a bandeira do 'eu já sabia'.

 

Tenham dó. Tenham decência. Há um país lá fora a tentar fazer-qualquer-coisa-com-isto.

Não vai ser possível enquanto formos o país dos grandes poderes e das pequenas cobardias.

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por sparks às 22:24

Quinta-feira, 17.07.14

Notícia má 1- Publicidade óptima 0

Eu sei que isto é um fait-divers e que, como dizia uma apresentadora da nossa tv, agora não interessa nada. Mas a publicidade do BES anda a fazer-me uma certa impressão. Entro no carro, ligo o rádio e não há dia que não tenha notícias do BES. Não são boas notícias, quanto muito em alguns dias são menos más do que noutros. Mas, no geral, são péssimas. Há buracos, desvios, credores a arder, pessoas que se demitem, pessoas que eram muito amigas de pessoas que se demitem muito chocadas com aquilo que as pessoas que se demitem faziam. E depois de uns quantos minutos disto, entra o jingle da D. Inércia. Às vezes, entra logo a seguir. Vantagem BES, por um lado rende, por outro lado poupa, o BES junta o útil ao rentável, a Rita Blanco no seu melhor registo de porteira à conversa com o Cristiano, tra-la-ri-tra-la-ro, e no mundo lá fora, as acções do banco a caírem, os accionistas a retirarem-se mas a desejarem as maiores felicidades a quem fica, Passos Coelho a dizer que os depositantes não devem ter medo de perder o dinheiro (aka, levantem lá nem que seja só 20 euros que lá tenham depositado). Tem um certo ar de orquestra do Titanic.

Depois leio os jornais e lá estão as notícias outra vez. Páginas e páginas no Expresso a explicar, tim-tim por tim-tim, as dificuldades da família Espírito Santo, as dívidas da Rio Forte, os aborrecimentos de algumas fortunas com os seus investimentos no Banque Privée. E ao lado ...  Uma campanha do BES - Pagamento na Hora. Ou do Espírito Santo Financial Group a anunciar que ganhou o prémio da melhor empresa de gestão de activos. Parece uma brincadeira. 

Não sei o que pensam os especialistas em marketing, mas cada vez que entro nesta montanha russa de notícia má- publicidade óptima, a notícia até me parece menos má porque a publicidade é péssima. A publicidade, feita supostamente para enaltecer qualidades e promover o banco, destrói muito mais do que a notícia. A notícia é a realidade, a publicidade é um mentiroso a mascarar a realidade.

Já ouvi a tese de que é melhor manter a publicidade, porque senão é que as pessoas pensavam que as coisas estavam mesmo mal. Será um argumento de marketing? Acho que não. As coisas estão realmente mal. Por isso, ou não dizem nada ou dizem alguma coisa que as pessoas realmente possam levar a sério. Ocorrem-me umas quantas coisas que, pelo menos a mim, me fariam ter mais simpatia e solidariedade por um banco que tem história, que emprega milhares de pessoas e que certamente tem gente com vontade de fazer good banking.

 

P.S. - No capítulo marketing BES, a suprema ironia é mesmo a campanha Recuperar a Esperança. Uma campanha de essência postiça que a realidade transformou no claim mais adequado aos tempos que o banco vive.

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por sparks às 23:44


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